Usei Zapier por anos, migrei para Make e nunca voltei. Aqui estão as diferenças reais que importam na prática — não o que está no site de marketing de cada um.
Essa comparação aparece em todo blog de automação. A maioria fica na superfície: “Zapier é mais fácil, Make é mais poderoso”. Verdade. Mas não ajuda muito a decidir.
Vou dar uma perspectiva diferente — a de quem usa as duas ferramentas há anos em projetos reais de clientes.
Zapier foi minha primeira ferramenta de automação no-code. A curva de aprendizado é pequena. A interface é limpa. O catálogo de integrações é enorme. Para automatizações simples (quando isso acontece, faz aquilo), funciona muito bem.
Fiquei no Zapier por uns 3 anos. Saí quando os projetos ficaram mais complexos.
A diferença central é o modelo de dados. No Zapier, você cria zaps lineares — gatilho, ação, ação, ação. Fácil de visualizar, difícil de fazer coisas não lineares.
No Make, você trabalha com cenários visuais onde os dados fluem em ramificações. Você consegue fazer loops, condicionais complexos, processar arrays de dados, tratar erros de forma granular. É mais parecido com programação visual do que com automação tradicional.
Para automatizações que envolvem lógica de negócio real (não apenas “quando email chega, cria tarefa”), Make vence sem discussão.
Processamento de lista de leads em lote: Precisava importar 500 leads de uma planilha, enriquecer cada um com dados de uma API externa, validar e-mail, e cadastrar no CRM. No Zapier isso seria uma gambiarra cara (cada lead dispararia um zap). No Make, um único cenário faz isso em loop, com tratamento de erro por registro.
Fluxo financeiro com condicionais: No projeto que descrevi em outro post, o fluxo de análise de crédito tinha três caminhos possíveis. No Make consigo representar isso visualmente e tratar cada caminho de forma independente. No Zapier precisaria de múltiplos zaps conectados, muito mais difícil de manter.
Webhooks com payload complexo: APIs que retornam objetos aninhados são muito mais fáceis de trabalhar no Make. O parser de JSON do Make é mais flexível.
Para clientes que vão operar a ferramenta sem suporte técnico, o Zapier é mais seguro. A interface é mais intuitiva. Se alguém precisa criar ou ajustar uma automação simples sem saber nada de programação, Zapier é mais acessível.
O catálogo de integrações do Zapier ainda é maior. Se você precisa integrar com uma ferramenta obscura, há mais chance de ter no Zapier.
O suporte do Zapier também é mais responsivo — relevante para ambientes corporativos que precisam de SLA.
Zapier cobra por tarefa. Cada ação em cada zap é uma tarefa. Isso parece barato no começo e fica caro rapidinho quando os fluxos crescem.
Make cobra por operação. A diferença parece sutil mas muda completamente a conta: um cenário que processa 1000 registros em loop não custa o mesmo que 1000 zaps separados.
Para volume alto, Make costuma sair significativamente mais barato. Fiz a conta para um cliente que processava uns 5.000 registros por semana: a diferença era de quase 60% no custo mensal.
Comece com Zapier se: A equipe vai operar sem suporte técnico, as automações são simples (linear, sem muito dado), o volume é baixo.
Use Make se: As automações envolvem lógica condicional, processamento de listas, integração com APIs, volume crescente, ou se você quer mais controle sobre o que acontece em caso de erro.
Para projetos que desenvolvo para clientes, uso Make em quase todos. A flexibilidade que ele dá compensa a curva de aprendizado inicial — e os clientes não operam as automações diretamente, então a usabilidade da interface não é o fator decisivo.
Se você está avaliando migrar de um para outro, a pergunta certa não é “qual é melhor” — é “qual resolve meu problema específico de forma mais eficiente e com custo mais previsível no longo prazo”. A resposta depende do seu contexto.
30 minutos para entender o seu desafio e ver se faz sentido trabalharmos juntos.